segunda-feira, 15 de março de 2010

Desculpa.


"Te olho nos olhos e você reclama
Que te olho muito profundamente.
Desculpa,
Tudo que vivi foi profundamente.
Eu te ensinei quem sou,
E você foi me tirando,
Os espaços entre os abraços,
Guarda-me apenas uma fresta.
Eu que sempre fui livre,
Não importava o que os outros dissessem.
Até onde posso ir para te resgatar?
Reclama de mim,
como se houvesse a possibilidade
De me inventar de novo.
Desculpa...
Se te olho profundamente,
Rente à pele...
A ponto de ver seus ancestrais
Nos seus traços.
A ponto de ver a estrada
Muito antes dos seus passos.
Eu não vou separar as minhas vitórias
Dos meus fracassos!
Eu não vou renunciar a mim;
Nenhuma parte,
nenhum pedaço
do meu ser vibrante,
Errante,
Sujo,
Livre,
Quente...
Eu quero estar viva e
permanecer
Te olhando profundamente."

Fabrício Carpinejar e Ana Carolina

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